CMC participa em Programa de Capacitação para Membros dos Conselhos de Administração da SADC, nas Maurícias
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) participou, de 8 a 10 de Setembro, na República das Maurícias, do Programa de Capacitação para Membros dos Conselhos de Administração das Entidades Membro do Comité de Autoridades de Seguros, Valores Mobiliários e Autoridades Financeiras Não Bancárias da SADC (CISNA), uma iniciativa que reuniu representantes dos reguladores financeiros da região austral de África para reflectir sobre os desafios e oportunidades que moldarão o futuro do sector financeiro.
Organizado pelo CISNA sob o lema “Da Supervisão à Antecipação: Conselhos de Administração na Construção de um Futuro Financeiro Resiliente na SADC”, o programa constituiu uma plataforma de aprendizagem e intercâmbio de experiências entre membros dos órgãos de governação das autoridades reguladoras, promovendo o reforço da capacidade institucional, da qualidade da tomada de decisão e da preparação para riscos emergentes num contexto de acelerada transformação económica e tecnológica.
A cerimónia de abertura contou com intervenções de altas entidades da República das Maurícias e da SADC, incluindo representantes do Governo mauriciano, da Comissão de Serviços Financeiros das Maurícias (FSC Mauritius), do Centro de Recursos para o Financiamento do Desenvolvimento da SADC (DFRC) e da liderança do CISNA, evidenciando a importância estratégica atribuída ao fortalecimento da governação e da supervisão financeira na região.
A CMC esteve representada pelo Administrador Executivo, Dr. Herlânder Diogo, cuja participação reforça o compromisso da instituição com a adopção de boas práticas internacionais de governação, supervisão e desenvolvimento do mercado de capitais, bem como com o aprofundamento da cooperação entre as autoridades reguladoras da região.
Ao longo dos três dias de trabalho, os participantes analisaram temas críticos para o futuro da indústria financeira, com destaque para a evolução dos produtos financeiros e a necessidade de modelos regulatórios orientados por dados, a expansão dos mercados africanos através da automação, os desafios associados à vulnerabilidade climática do continente e a criação de mecanismos que promovam maior resiliência financeira face a eventos extremos.
Particular atenção foi dedicada ao impacto da Inteligência Artificial (IA) nos processos organizacionais e regulatórios. As discussões abordaram o potencial da IA generativa para aumentar a produtividade institucional, melhorar os mecanismos de análise e supervisão e apoiar processos de tomada de decisão mais eficientes. Foram igualmente debatidos os desafios associados à transformação do mercado de trabalho, à necessidade de novas competências profissionais, à emergência das microcredenciais como complemento aos modelos tradicionais de formação e ao papel das instituições de ensino na preparação de quadros para uma economia cada vez mais digital.
Os participantes analisaram ainda a crescente necessidade de integração estratégica da inteligência artificial nos modelos de governação corporativa, incluindo a criação de mecanismos de supervisão tecnológica, de gestão dos riscos associados à IA e de protecção dos dados. Neste domínio, foi destacada a importância de os Conselhos de Administração desenvolverem competências adequadas para compreender e supervisionar os impactos das novas tecnologias nas suas instituições, assegurando simultaneamente elevados padrões de ética, transparência e responsabilidade.
Outro dos temas debatidos incidiu sobre a necessidade de desenvolvimento de estruturas de competências profissionais alinhadas com as exigências do sector financeiro moderno. As sessões exploraram modelos de mapeamento de competências, programas de formação contínua, desenvolvimento de carreiras e mecanismos de aproximação entre as instituições académicas e o mercado de trabalho, com vista à construção de ecossistemas de talento mais resilientes e adaptados às futuras necessidades da indústria financeira.
Os participantes reflectiram igualmente sobre a transformação digital das instituições financeiras, a crescente importância da cibersegurança, a utilização estratégica dos dados para fins regulatórios e a necessidade de fortalecer a capacidade das organizações para responder aos desafios decorrentes da inovação tecnológica e da digitalização dos serviços financeiros. Estes debates evidenciaram o papel fundamental dos reguladores na criação de ambientes que estimulem a inovação, preservando simultaneamente a estabilidade financeira e a protecção dos investidores.
A participação da CMC neste programa permitiu acompanhar as tendências internacionais mais recentes em matéria de supervisão financeira, governação corporativa, inovação tecnológica e desenvolvimento de capacidades institucionais, reforçando o posicionamento da instituição no contexto regional da SADC e contribuindo para a incorporação de abordagens modernas de regulamentação e supervisão orientadas para o futuro.
Com esta participação, a CMC reafirma o seu compromisso com o fortalecimento da estabilidade, integridade e resiliência do mercado de capitais angolano, promovendo uma supervisão cada vez mais eficaz, inovadora e alinhada com os padrões internacionais e com os desafios emergentes que caracterizam a actual evolução do sistema financeiro global.
